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O Bloco Carnavalesco Império dos Palmares apresentou no Carnailha 2026 um desfile marcado por exaltação à Amazônia, denúncia histórica e defesa da preservação. Com o enredo “A Menina dos Olhos da Amazônia: Presidente Figueiredo”, a agremiação transformou a Paraíba do Samba em um percurso simbólico por cachoeiras, grutas, fauna, cultura popular e resistência indígena, costurando memória e identidade regional em cada segmento da apresentação.
A narrativa do desfile colocou Presidente Figueiredo como joia amazônica, valorizando elementos reconhecidos do município, como as cachoeiras, o turismo, a agricultura e o minério, além de referências diretas à Gruta/Caverna do Maroaga e à Festa do Cupuaçu. O samba-enredo reforçou esse retrato celebrativo com imagens de sol, tambor e alegria, convidando o público a cantar o amor por uma terra “guerreira e batalhadora” que sonha em crescer, sem abandonar suas raízes.
A abertura veio com a comissão de frente “Guardiões Galo-da-Serra”, formada por 12 integrantes, que reverenciou a ave símbolo de Presidente Figueiredo. A cena levou para o centro da avenida a ideia de território sagrado: cavernas e grutas protegidas pela própria natureza. No módulo cênico, surgiu também a figura do lendário índio Maroaga, associado à resistência contra a construção da BR-174. A proposta dramatizou a gruta como refúgio e memória, enquanto os guardiões alados conduziam o público para o universo de mistério e proteção da floresta.
No item Rainha, o bloco apostou em uma personagem inspirada na onça-pintada, referência às áreas de cachoeiras e à força da vida selvagem. A apresentação também ressaltou a origem negra e quilombola da rainha e sua atuação como ativista social, conectando o brilho do carnaval a um discurso de pertencimento e valorização de raízes.
A Ala Preservação, descrita como sincronizada, apareceu como mensagem direta de sustentabilidade e equilíbrio entre ser humano e natureza. As brincantes, representadas como fêmeas do galo-da-serra, deram corpo a um bailado que defende a continuidade da Amazônia como condição para que o futuro “possa brilhar”.
O ponto de maior densidade simbólica do desfile se concentrou no carro alegórico “Terra Maravilhosa”, apresentado como síntese da alma de Presidente Figueiredo. A composição reuniu referências ao fazer ancestral dos Waimiri-Atroari, símbolos do município (como cupuaçu, tucunaré, onça) e imagens de espiritualidade por meio de totens ligados a pajés e forças invisíveis da floresta.
A apresentação também inseriu um recorte histórico ao destacar a violência sofrida pelo povo Waimiri-Atroari durante a construção da BR-174 (1964–1985), tema lembrado inclusive por figurinos da diretoria e harmonia em vermelho, em alusão ao massacre e às violações ocorridas no período. Ao mesmo tempo, o carro conectou tradição e mundo contemporâneo ao citar riquezas minerais, como o nióbio, e finalizou com a imagem de uma grande cachoeira, reafirmando Presidente Figueiredo como “menina dos olhos” da região.
Com materiais descritos como recicláveis e biodegradáveis, a alegoria foi apresentada também como compromisso: mais do que cenário, um manifesto de preservação e amor pela floresta. No conjunto, o Império dos Palmares encerrou sua passagem em 2026 com um desfile que combinou espetáculo visual, orgulho amazônico e memória de resistência.

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