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Kelly Sobral

Bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Tem carreira no audiovisual desde 2007 por meio de produções e atuações em curtas-metragens, o que lhe rendeu premiações em diversos festivais de cinema no Amazonas. Atualmente atua na produção de audiovisual

A noite de 17 de julho foi mais uma vez marcada pela encenação teatral do auto do boi e a tradicional matança do Boi Garantido, como acontece ao longo dos anos. No curral tradicional, no reduto encarnado, a festividade ocorreu, seguindo a herança do fundador do bumbá, mestre Lindolfo Monteverde, e marcou o encerramento das atividades do vermelho e branco na Baixa do São José.

Os brincantes saíram pelas ruas dos bairros São José Operário e São Benedito, comemorando o fim da temporada bovina na encenação da matança. A multidão acompanhou os batuqueiros e vaqueiros cantando toadas antigas e brincando com o boi de pano, que saía em disparada tentando escapar do laço dos vaqueiros.

Seguindo a tradição, o boi de veludo branco visitou as casas das famílias mais tradicionais, levando carinho aos torcedores apaixonados. E assim, o cortejo chegou ao ato final, com o auto do boi sendo encenado, o Garantido “morreu” e pela tradição só deve reaparecer no próximo ano.

A emoção e a tradição são compartilhadas por torcedores antigos como Raimunda Simas, de 83 anos que recebeu a visita e o carinho do boi de pano.

“Todos os anos a emoção se repete, seja nas saídas dos dias 12, dia 24 ou na Alvorada. Ai a gente fica ainda mais emocionada neste dia porque é a despedida do nosso Garantido”, declarou Raimunda Simas, de 83 anos, moradora da rua Lindolfo Monteverde, uma das torcedoras mais antigas.

Auto do boi

A festa e a cerimônia do auto do boi são uma realização da Associação Cultural Lindolfo Monteverde, com o apoio da Associação Folclórica Boi-Bumbá Garantido e de colaboradores. O boi ressurge sempre no dia 2 de janeiro, dia do aniversário de Lindolfo, com rosas vermelhas presas aos chifres para simbolizar a vida, que ressurge com o bumbá.

Segundo dona Maria do Carmo Monteverde, filha do criador do Garantido, o versador Lindolfo Monteverde, que possui 85 anos, os chifres do boi são enfeitados por palhas. Essa prática remonta ao começo da encenação do auto do boi, na época de seu pai, quando o Garantido tinha os chifres queimados e as palhas já estavam presas para facilitar a queimada.

A matriarca dos Monteverde também destaca que se tornou tradição o boi ressurgir sempre no dia 2 de janeiro, que é o aniversário de Lindolfo e foi instituído como o “Dia da Tradição”. Nessa data especial, o Garantido chega no curral tradicional da Baixa de São José com rosas vermelhas presas aos chifres, simbolizando a vida que ressurge com o bumbá.

¨Esse evento representa uma das maiores tradições de Parintins, porque faz mais de cem anos que aconteceu esse primeiro ato, e o povo daquela época, chagava a chorar com a despedida pela morte do Garantido, que meu pai fazia. Essa tradição nasceu aqui e permaneceu até hoje e estamos felizes porque essa cultura foi a nossa grande riqueza¨, afirmou dona Maria Monteverde. Ao lado do levantador de todas David Assayag, dona Maria cantou e tirou versos.

O presidente do Boi Garantido, Adson Silveira, destaca a importância da parceria com a família Monteverde e a tradição mantida ao longo dos anos.

¨É a parceria do Boi Garantido com a família Monteverde, é um evento tradicional e estamos sempre aqui para contribuir. Foi uma bonita festa com a participação dos torcedores¨, enfatizou Silveira.

Além do auto do boi, o Garantido reúne brincantes para um churrasco e caldeirada finalizando os eventos na residência de dona Maria do Carmo, na Baixa de São José, conforme os relatos dos Monteverde. A celebração dessa tradição é uma das maiores riquezas de Parintins, que continua a encantar e emocionar gerações.

Fotos: Daniel Brandão

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