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Lagarto Salgado “purpurinou” o Carnailha 2026 com Wanderley Andrade e desfile de inclusão

A linguagem irreverente e provocativa aparece como marca do bloco, mas sempre ancorada na mensagem de respeito

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Marcos Butel

Produtor cultural por meio de projetos aprovados na Lei Paulo Gustavo e Aldir Blanc (2024-2025). Bacharel em Comunicação Social-Jornalismo pela UFAM-ICSEZ Parintins (2022). Cofundador da Amazon Rec Produções, produtora e portal de notícias do baixo amazonas. Trabalha com produção audiovisual, exercendo funções de roteirista, videomaker e motion designer. Estuda cinema, produção executiva e direção de fotografia pela AIC (Academia Internacional de Cinema), em São Paulo.

O Bloco Lagarto Salgado, do bairro da Francesa, chega ao Carnailha 2026 apostando em um desfile que mistura irreverência, glamour e discurso de diversidade. Com o enredo “O Traficante Chegou: Wanderley Andrade vem purpurinando a avenida com o pó do amor!”, o bloco coloca o cantor paraense como grande homenageado e transforma o circuito em um manifesto carnavalesco de orgulho, acolhimento e festa popular.

Enredo exalta o “Traficante do Amor” e transforma a avenida em espetáculo

A proposta de 2026 gira em torno da figura de Wanderley Andrade, apresentado pelo bloco como “Camaleão Rei” — um artista de visual irreverente e repertório que transita do brega pop a outras influências, conectando humor, romance e performance. No texto de apresentação, o Lagarto convoca “bibas caprichosas, garantidas, visitantes” e “detentos apaixonados” para uma edição que promete arrastar multidões com purpurina, ousadia e referências diretas aos sucessos do homenageado.

Bastidores: comunidade da Francesa assina a construção do desfile

A presidente Crica Butel destaca que o desfile é resultado de um trabalho coletivo, feito por “muitas mãos” da própria comunidade. A preparação envolve artistas e profissionais locais — costureiras, soldadores, escultores, pintores — responsáveis por dar forma às alegorias, figurinos e adereços que o bloco promete levar à avenida. A ideia, segundo o texto, é fazer do Carnailha uma experiência de arte viva, construída por quem faz parte do bairro e do cotidiano do bloco.

Diversidade no centro: orgulho LGBTQIAPN+ e convite aos aliados

O Lagarto Salgado reforça que sua identidade está diretamente ligada à diversidade e à inclusão social, com acolhimento explícito à comunidade LGBTQIAPN+. O discurso apresentado aponta o bloco como espaço de pertencimento e resistência, defendendo a liberdade de ser e se expressar — e lembrando que, para quem não é da comunidade, o lugar é de aliança e apoio. A linguagem irreverente e provocativa aparece como marca do bloco, mas sempre ancorada na mensagem de respeito.

Destaques do desfile: “detentos apaixonados”, rainha Yanka Ayumin e inclusão com a comunidade surda
Foto: divulgação

Entre os pontos de maior impacto, a comissão de frente “Detentos Apaixonados: o amor liberta” promete encenar uma metáfora de cadeia que se transforma em santuário de afeto, associando a narrativa a um dos universos musicais de Wanderley Andrade.

Outro destaque é a rainha Yanka Ayumin, apresentada como “Guardiã do Pó do Amor” e símbolo de beleza, atitude e representatividade. Mulher trans e artista engajada, ela é descrita como figura que leva para a avenida um figurino de luxo e uma performance voltada à afirmação da identidade e à visibilidade.

Na Ala 2, o bloco anuncia uma condução especial: a participação da comunidade surda por meio do projeto “Mãos na Folia: Sinais que Cantam no Carnailha”, reforçando a proposta de que a festa não é só para ser ouvida, mas também sentida e sinalizada, ampliando o acesso e a participação no circuito.

Com marchinha própria, estética marcada por cores, brilho e referências ao “pó do amor”, o Lagarto Salgado entra no Carnailha 2026 prometendo um desfile de grande apelo popular, combinando show, crítica bem-humorada e um recado direto: no bloco, ninguém fica de fora — a única “lei” é celebrar com respeito.

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