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O Bloco Pantera Cor-de-Rosa, conhecido em Parintins como “Bloco do Povão”, apresenta no Carnailha 2026 um desfile que mistura memória, inclusão e homenagem. Com o enredo “Gabi Guarani – A Guerreira da Diversidade”, a agremiação leva para a avenida uma narrativa de resistência contra a transfobia, celebrando a trajetória de uma artista e ativista trans que se tornou símbolo de alegria e superação.
A história do bloco começa em 2005, quando um grupo de amigos — entre eles Andinho, Janderson Karapa, Thiago Viana, Daniel Malcher, Ameliano Nunes, além de outros — se reunia no Parque Pichita Cohen para se vestir e participar do Carnailha. Liderados pelo jovem Adriano Aguiar, decidiram criar um bloco na prática: compraram camisas brancas, tingiram de rosa, enfeitaram um triciclo e levaram para a avenida uma pantera desenhada no papelão.
Naquele primeiro momento, o grupo desfilou sem participar oficialmente do evento. Com o passar dos anos, a brincadeira ganhou força, o bloco foi convidado a integrar o desfile oficial e recebeu apoio importante do saudoso Nelson Oliveira, citado como incentivador financeiro na compra de materiais.
Uma das marcas do Pantera Cor-de-Rosa é a forma de receber os brincantes. O bloco se consolidou como espaço de participação ampla, conhecido por abrir as portas sem burocracia para quem quiser entrar e brincar, independentemente de fantasia ou produção. A característica ajudou a firmar o apelido carinhoso dado pelos parintinenses: Bloco do Povão.


Em 2026, o bloco anuncia como homenageada Gabi Guarani, descrita como dançarina, artista, blogueira e ativista da causa trans. O enredo destaca suas origens familiares: pai descendente de Guarani, ligado à comunidade Surubiú, no Baixo Tapajós, e mãe de origem ribeirinha da comunidade do Aduacá, em Parintins. O tema também ressalta a ligação de Gabi com o Caprichoso, onde integra o grupo de dança CDC, além do trabalho como comunicadora e criadora de conteúdo nas redes sociais.

O texto do enredo apresenta a homenageada como presença que “onde chega leva alegria, gargalhadas e luz”, reforçando a ideia de persistência e luta diária por espaço, respeito e oportunidades.
A proposta cênica do desfile começa com a comissão de frente “As Guerreiras da Diversidade”, que simboliza a coragem da homenageada e a luta contra a transfobia. Na encenação, as guerreiras enfrentam o “espírito mal – preconceito”, numa mensagem direta de que, no Carnailha, o bem vence o mal.
A rainha do bloco será Wendy Delevingne, graduada em Educação Física pela UFAM, figurinista do Boi Bumbá Garantido e atuante em festivais do Amazonas e Pará, além de ativista da causa trans. No desfile, ela representa uma revoada de borboletas, símbolo associado à transformação e renascimento.

Já o carro alegórico reúne o símbolo do bloco e o enredo numa explosão de cores, descrita como uma “aldeia de todas as tribos”, com Gabi Guarani “comandando” a cena na avenida. O projeto artístico é creditado a Jeovane Simas (artista) e Álvaro Rodrigues (adereços).

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