Manifesto de brasilidade: Caprichoso encerra o Festival exaltando…
Com um verdadeiro manifesto de brasilidade voltado para o Norte do país, o Boi Caprichoso encerrou a terceira
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O Boi do Povão apresentou um espetáculo histórico marcado pela ancestralidade e pela pluralidade dos povos da floresta
Espetacular e majestoso, surgindo do alto da arena, o Boi Caprichoso abriu sua apresentação na segunda noite do
O 59º Festival de Parintins teve início nesta sexta-feira (26), transformando o Bumbódromo no maior palco da cultura
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O Boi-Bumbá Caprichoso apresentou o projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”, tema que conduzirá o espetáculo azul
Com um verdadeiro manifesto de brasilidade voltado para o Norte do país, o Boi Caprichoso encerrou a terceira e última noite do 59º Festival de Parintins com o subtema “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”.
O espetáculo transformou a arena em um grande palco de celebração da identidade amazônica, reafirmando a força dos povos originários, da cultura cabocla e da herança afro-indígena em uma exaltação ao Norte como território de resistência, diversidade e esperança.
A tradicional chamada do boi marcou o início da apresentação. O apresentador Edmundo Oran surgiu do alto conduzindo o Boi da Estrela, ao lado do levantador de toadas Patrick Araújo, dando o tom da grandiosa encenação.
Imponente, o Boi Caprichoso evoluiu na arena acompanhado de Pai Francisco e Mãe Catirina, enquanto o Amo do Boi, Caetano Medeiros, conduzia versos que embalaram a galera azulada.
A Lenda Amazônica apresentou “Nhaçã-Heká – Macacos Comedores de Gente”, inspirada na tradição da Ilha do Bananal, no Tocantins. A narrativa retratou a epopeia do guerreiro Marica, que derrotou as forças do medo para libertar seu povo. A alegoria, assinada por Geremias Pantoja, impressionou pela grandiosidade, riqueza de movimentos, criatividade e impacto visual.
Conduzida pelo Urubu-Rei, a Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, descendente do povo Munduruku, protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite, exaltando a força feminina e a ancestralidade indígena.
Na sequência, Caetano Medeiros voltou a contagiar a arena com versos entoados em coro pela galera. Em seguida, os povos indígenas e os itens coreográficos celebraram as tradições e as lutas dos povos originários. O Pajé Erick Beltrão conduziu um momento de forte espiritualidade inspirado nos povos do Xingu, unindo canto, dança e simbolismo em uma celebração da resistência indígena.
A Dança Cerimonial abriu caminho para a chegada dos Tuxauas, ao som da toada “Herdeiros de Xibelão”, evocando os saberes ancestrais que orientam os caminhos da vida e da coletividade.
Patrick Araújo também defendeu a toada concorrente “Viva a Cultura Popular”, em um momento marcado pela participação da vaqueirada e pela valorização das tradições populares.
Outro ponto alto da apresentação foi a evolução da Rainha do Folclore, Cleise Simas, que surgiu descendo de um balão cenográfico transformado em estrela, criando um dos efeitos visuais mais impactantes da noite. O módulo alegórico foi concebido pelo artista Brás Lira.
Na Figura Típica Regional, o Caprichoso homenageou As Farinheiras da Amazônia, reconhecendo o protagonismo das mulheres que preservam os saberes tradicionais da produção da farinha. A alegoria, criada por Makoy Cardoso e Ney Meireles, transformou a arena em um território de celebração da cultura popular e da força matriarcal que sustenta a floresta.
A Porta-Estandarte Marcela Marialva surgiu em uma imponente alegoria empunhando o pavilhão azul e branco, simbolizando a resistência, a coragem e a força da mulher amazônida.
Reafirmando as origens da brincadeira do boi-bumbá, a Exaltação Cultural apresentou “O Auto do Boi Brasileiro”, reunindo elementos simbólicos que representam a história, a devoção e o pertencimento que transformaram o folguedo em um dos maiores espetáculos culturais da Amazônia. A alegoria também levou a assinatura de Brás Lira.
A Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, emocionou o público ao evoluir com o Boi Caprichoso, levando a galera ao delírio. O espetáculo também destacou o futuro da manifestação cultural com a participação das crianças da Escola de Arte, reforçando a continuidade da tradição.
Em um momento de homenagem, o Caprichoso reverenciou o poeta da Amazônia, Chico da Silva, ao interpretar a toada “Meu Amor é Caprichoso”, emocionando a galera.
O encerramento ficou por conta do Ritual Indígena “Povo do Céu”, inspirado na cosmologia do povo Xikrin. Assinado por Juscelino Ribeiro, o ritual retratou a formação do xamã como uma jornada de transformação e acesso ao conhecimento sobrenatural. O Pajé surgiu em uma gigantesca estrutura em forma de aranha, simbolizando a passagem entre os mundos espiritual e terreno, encerrando a apresentação com um dos momentos mais impactantes do 59º Festival de Parintins.
Ao fim da terceira e última noite de apresentações, o presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoêdo, deixou a arena confiante na conquista do título de 2026. Emocionado, destacou o trabalho coletivo que tornou possível a construção dos três espetáculos apresentados pelo bumbá.
“Hoje foi um dia espetacular. Presenciamos essa história de uma forma muito especial. Quero parabenizar o Conselho de Arte, em nome do presidente Ericky Nakanome, e o Edwan Oliveira, que fizeram um trabalho incrível com todas as nossas equipes, itens coletivos e individuais, nossos artistas e todos que ajudaram a construir esse projeto. Foram três grandes atos em uma ordem crescente, que se encerraram hoje com essa energia e, se Deus quiser, com o título de campeão”, afirmou Rossy.
O diretor de arena e integrante do Conselho de Arte, Edwan Oliveira, ressaltou que o projeto artístico do Caprichoso apresentou a identidade amazônica em sua essência, ampliando o olhar sobre a região Norte até alcançar todo o Brasil.
“Contamos a nossa raiz, a nossa história e a nossa abrangência para a região Amazônica, para a região Norte, até alcançar esse Brasil brasileiro. É uma temática que celebra não apenas a nossa cultura e a nossa arte, mas também fortalece a nossa festa, cheia de alegria. Conseguimos concluir o projeto que nos propusemos a apresentar”, destacou.
Após três noites de espetáculo marcadas pela valorização da Amazônia, da ancestralidade e da identidade dos povos do Norte, o Caprichoso encerrou sua participação no festival com a expectativa de transformar o desempenho na arena em mais um título para a Nação Azul e Branca.
Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

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