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Kelly Sobral

Bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Tem carreira no audiovisual desde 2007 por meio de produções e atuações em curtas-metragens, o que lhe rendeu premiações em diversos festivais de cinema no Amazonas. Atualmente é jornalista no site Parintins Press e Amazon Rec.

Espetacular e majestoso, surgindo do alto da arena, o Boi Caprichoso abriu sua apresentação na segunda noite do 59º Festival de Parintins com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia, o Chão da Vida”. O espetáculo exaltou a floresta como território vivo, sagrado e ancestral, celebrando uma Amazônia habitada por humanos, povos originários, encantados, espíritos guardiões, animais e toda a biodiversidade que sustenta a vida.

Entidades amazônicas, lamparineiros e grandes bailados deram forma ao cenário que conduziu a narrativa, apresentada por Edmundo Oran, com a voz do levantador de toadas Patrick Araújo e a poesia do Amo do Boi, Caetano Medeiros.

A ousadia artística do Caprichoso ficou evidente na alegoria da Lenda Amazônica – Curupira, o Guardião da Vida, assinada por Roberto Reis. Considerada uma das maiores já vistas no Festival, a estrutura impressionou pela grandiosidade, pelos efeitos cênicos, movimentos reais e riqueza plástica.

No praticável, a Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque protagonizou um dos momentos mais marcantes da noite ao transformar-se em onça-pintada e onça-negra, recurso cenográfico que ampliou o impacto visual da apresentação.

Patrick Araújo defendeu o item Toada, Letra e Música interpretando “Amazônia, Nossa Luta em Poesia”, composição de Ronaldo Barbosa, Edwan Oliveira, Edvander Batista e Erick Nakanome.

Ao som de “Rostinho de Anjo”, a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, encantou a arena com a delicada transformação de seu figurino durante a evolução em beija-flor.

Os Guardiões do Boi, representados pela Vaqueirada, emocionaram o público ao lado do Amo Caetano Medeiros em uma homenagem ao compositor Ronaldo Barbosa, autor de mais de cem toadas que marcaram a história do Caprichoso. Entre elas, a inesquecível “Saga de um Canoeiro”, cantada em coro pela galera azul e branca.

Na alegoria da Figura Típica Regional Pescadores e Pescadoras da Amazônia, criação do artista Márcio Gonçalves, homens e mulheres das águas representaram o trabalhador ribeirinho como guardião dos rios e herdeiro dos saberes ancestrais transmitidos entre o sol, o vento e as correntezas. A Rainha do Folclore, Cleise Simas, completou a evolução do quadro com uma apresentação marcada pela força e elegância.
Interagindo com o público, o Boi Caprichoso surgiu no meio da galera, nas arquibancadas, brincando com os torcedores.

A celebração dos povos originários, embalada por coreografias criadas por artistas parintinenses, homenageou homens e mulheres que tombaram na defesa da floresta, dos rios e dos territórios tradicionais, reafirmando a Amazônia como chão da vida.

No item Tuxaua, as morubixabas Irá Maraguá, Lup Moara e Ayla Hiskareana protagonizaram outro momento histórico. Lup tornou-se a primeira mulher trans a defender o item na arena do Festival de Parintins.

Celebrando a diversidade afro-indígena da Amazônia, a Exaltação Cultural “Festa do Povo da Floresta” reuniu um mosaico de ritmos e manifestações populares, levando à arena o carimbó do Pará, o cacuriá do Maranhão, o samba de couro de Rondônia, o marabaixo do Amapá, o congo do Tocantins, a parixara de Roraima e o boi-bumbá do Amazonas. Os módulos alegóricos foram assinados pelo artista Eddi Dude.

Voando sobre uma imponente arara-azul, a Porta-Estandarte Marcela Marialva realizou uma evolução marcada pela leveza e beleza cênica.

Encerrando a sequência de grandes momentos, o Ritual de Transcendência Assurini, concebido pelo artista Kennedy Prata, levou à arena o Maracá, xamã místico do povo Assurini do Xingu, representado por Raimundo Assurini. A apresentação reafirmou a visão ancestral de que saúde, equilíbrio e prosperidade dependem da harmonia entre os seres humanos, a natureza e a espiritualidade.
Em um desfecho de grande impacto visual, a alegoria ganhou movimentos reais enquanto o Pajé Erick Beltrão era içado pelo espírito Mukaia em uma impressionante cena de levitação, encerrando o espetáculo e reafirmando a força criativa, tecnológica e artística do Boi Caprichoso na defesa da Amazônia e de seus povos.

Itens oficiais, Conselho de Arte e diretoria do Boi Caprichoso destacaram a emoção, o trabalho coletivo e a sensação de dever cumprido ao final de mais um espetáculo.
Ainda emocionado, o Pajé Erick Beltrão afirmou “estou com o coração mais tranquilo. São coisas sobrenaturais que entram no nosso corpo para fazer todas essas emoções acontecerem”, declarou.

O presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, comemorou o resultado das duas noites de apresentação e ressaltou o clima de união entre todos os segmentos do boi.
“O clima está muito unido. Saiu tudo como foi planejado, tudo no tempo certo. Fizemos um boi para cada noite e estamos felizes com o resultado”, afirmou.

A Rainha do Folclore, Cleise Simas, também celebrou o desempenho do bumbá e destacou a dedicação de toda a equipe durante a preparação para o Festival.
“Fizemos dois grandes espetáculos. Foi um trabalho de muita dedicação em uma temporada desafiadora, e ver tudo acontecer na arena é uma grande recompensa”, disse.

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

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