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Kelly Sobral

Bacharel em Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Tem carreira no audiovisual desde 2007 por meio de produções e atuações em curtas-metragens, o que lhe rendeu premiações em diversos festivais de cinema no Amazonas. Atualmente é jornalista no site Parintins Press e Amazon Rec.

Com uma entrada emocionante e grandiosa, o Boi Caprichoso abriu a primeira noite do 59º Festival de Parintins apresentando o subtema “O Chão de Origem”. O espetáculo exaltou Parintins como território de memórias, promessas, afetos e ancestralidade, reafirmando que o Caprichoso nasce da força do seu povo e das raízes culturais da Ilha Tupinambarana.

No módulo de abertura, o boi surgiu içado ao lado da tradicional Vaqueirada. Com ele entraram na arena o apresentador Edmundo Oran, o levantador de toadas Patrick Araújo, o Amo do Boi Caetano Medeiros, Pai Francisco e Mãe Catirina.

Em versos, Caetano Medeiros anunciou o dono da festa, enquanto o Tripa Edson Jr. conduzia o Boi Caprichoso em uma evolução marcada pela presença dos guardiões da cultura popular e da Vaqueirada.

A celebração do brinquedo popular ganhou forma na Figura Típica Regional “O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins”, transformando a arena em um grande boi de rua. A cena homenageou moradores dos tradicionais territórios azulados da Francesa, Santa Clara, Aninga, Parananema, Cordovil e Palmares, considerados berços da tradição caprichosa.

Alunos da Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale e mais de 400 figurantes participaram do momento, reforçando o compromisso do bumbá com a preservação de sua identidade cultural.

Na composição cênica da alegoria surgiu a Porta-Estandarte Marcela Marialva, que contagiou a galera, enquanto a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, surpreendeu ao flutuar sobre a arena em uma apresentação marcada pela inovação.
O módulo alegórico foi assinado pelos artistas Preto e Paulo Pimentel, da Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale.

Na arena, Patrick Araújo defendeu a toada “Caprichoso – Brinquedo que Canta Seu Chão”, de autoria de Adriano Aguiar.
A força dos povos originários ecoou na voz de Gilvana e Tainá Borari durante a Celebração Indígena, conduzindo um momento de valorização da ancestralidade ao lado do Pajé e da Cunhã-Poranga.

Um dos momentos mais impactantes da noite foi a apresentação da Lenda Amazônica “Cobra Grande – A Deusa da Encantaria”, entidade mítica considerada guardiã da cidade de Parintins. A alegoria surpreendeu o público com diferentes aparições e uma impressionante transformação que culminou na entrada triunfal da Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque, incendiando a arena.
Assinado pelo artista Alex Salvador, o módulo alegórico utilizou tecnologia em LED, efeitos de CO₂, gelo seco e sofisticados recursos cenográficos, ampliando o impacto visual e reforçando a magia do espetáculo.

Em um momento de forte emoção, o ex-Amo do Boi Caprichoso, Rei Azevedo, retornou à arena para dividir versos com Caetano Medeiros. Acometido por complicações da diabetes que lhe tiraram a visão, Rei emocionou o público ao demonstrar que mantém viva a tradição de versar e tocar o berrante.

Com a coreografia “Trilha do Curupira”, o Caprichoso apresentou um espetáculo de expressão corporal e teatral, unindo dança folclórica, elementos rítmicos e uma narrativa inspirada na proteção da floresta.

A crítica socioambiental ganhou força no módulo alegórico “O Monstro Correntão”, assinado pelo artista Nildo Costa. Com efeitos especiais, iluminação cênica e movimentos motorizados, a alegoria denunciou a destruição da floresta amazônica provocada pelo correntão, uma das técnicas mais agressivas utilizadas no desmatamento e símbolo da guerra contra os territórios da vida na Amazônia. O módulo trouxe ainda a evolução da Rainha do Folclore, Cleise Simas.

Encerrando a primeira noite, o Ritual Indígena de Iniciação “Wat-Amã – O Ritual da Tucandeira”, do povo Sateré-Mawé, levou à arena uma celebração da ancestralidade, da memória e da identidade indígena. A apresentação valorizou os povos indígenas e teve o Pajé Erick Beltrão como protagonista.
Assinada pelo artista Algles Ferreira, a alegoria apresentou uma proposta inovadora: uma gigantesca tucandeira, símbolo da cultura Sateré-Mawé, conduziu a chegada do Pajé Erick Beltrão em um espetáculo cenográfico grandioso, envolvendo mais de 200 figurantes e impressionando o público pela força visual e simbólica.

Ao fim da apresentação, o presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, destacou que o espetáculo alcançou o objetivo de apresentar as raízes e a identidade do Caprichoso.

“Mostramos nossa tradição, nossas raízes, em um dos três espetáculos do projeto Caprichoso – Brinquedo que Canta Seu Chão. Estou muito feliz porque a reação da galera foi a melhor possível. O Caprichoso entregou, mais uma vez, um padrão artístico de excelência. Foi um espetáculo grandioso”, afirmou.

O diretor de arena, Edwan Oliveira, ressaltou a organização técnica da equipe, que concluiu a apresentação dentro do tempo previsto.
“O Caprichoso conseguiu colocar tudo no tempo certo. Isso é resultado da competência técnica de uma equipe fantástica. Sair da arena com tempo sobrando é sinal de um Caprichoso preparado e campeão. Foi uma noite de emoção e de muitas memórias”, destacou.

Ao preservar sua essência popular e, ao mesmo tempo, incorporar novas tecnologias e recursos cênicos, o Boi Caprichoso mostrou que tradição e inovação caminham juntas, transformando memória, identidade e resistência do povo amazônico em um espetáculo emocionante, grandioso e digno da abertura do 59º Festival de Parintins.

Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso

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